O que Aconteceu na UPA da Zona Noroeste
No dia 12 de março de 2026, uma situação alarmante ocorreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste, localizada em Santos, SP. Uma jovem de 22 anos, que optou por não revelar sua identidade, foi internada após apresentar graves dificuldades respiratórias, sendo diagnosticada com pneumonia e alterações no sangue. Durante sua estadia na unidade, ela enfrentou um episódio de racismo e gordofobia, o que a levou a formalizar um boletim de ocorrência (BO) para relatar o ocorrido.
A UPA é administrada pela organização social InSaúde, que tem um contrato de gestão no valor de R$ 33,5 milhões anuais. O caso gerou repercussão na mídia e evidenciou problemas estruturais e de atendimento em unidades de saúde geridas por organizações sociais.
A Denúncia: Racismo e Gordofobia em Detalhes
Segundo a jovem, o incidente aconteceu na manhã do dia 12, logo após ela ter recebido um aviso de que poderia ter alta. Uma técnica de enfermagem fez comentários depreciativos sobre o corpo da paciente. Em seu relato, a técnica disse que o braço da jovem era “muito fofinho” e que a dificuldade em medir sua pressão arterial se devia ao fato dela “comer muito doce”.
Além das observações acerca do peso, a profissional também fez comentários pejorativos sobre o cabelo da paciente. A enfermeira sugeriu que seria bom para a jovem receber alta e lavar seu cabelo, que estava descrito como “duro, embolado e fedido”. Essas declarações revelam um padrão de discriminação que vai além do tratamento com medicamentos, refletindo uma falta de profissionalismo e respeito no ambiente de saúde.
Reações da Equipe de Saúde Após a Reclamação
Após a situação desconfortável, a paciente procurou o médico responsável para relatar as ofensas. O profissional comunicou a coordenação da unidade sobre o ocorrido. Durante uma conversa com a equipe de enfermagem, a técnica envolvida justificou seus comentários alegando que se tratavam de “brincadeiras”. Essa resposta indica uma falta de compreensão sobre a gravidade de suas palavras.
Após a reclamação, a jovem percebeu que a equipe de enfermagem passou a tratá-la com hostilidade, reduzindo a frequência das visitas ao seu leito. Ela tentou coletar informações sobre a profissional, como o sobrenome e o número de registro no Conselho Regional de Enfermagem (Coren), mas teve seus pedidos negados, o que a deixou ainda mais vulnerável e inquieta.
Impacto do Racismo em Ambientes de Saúde
Casos de racismo e gordofobia em ambientes de saúde não são isolados e refletem questões sistêmicas mais amplas. Tais ataques verbais e a falta de empatia por parte da equipe podem ter consequências muito sérias para a saúde mental e física dos pacientes, especialmente em momentos de vulnerabilidade como uma internação hospitalar.
A discriminação pode levar a um agravamento das condições de saúde, desencorajando as vítimas de procurar auxílio médico no futuro. Este fenômeno é ainda mais gritante em contextos onde as populações mais afetadas já lidam com barreiras sistêmicas no acesso à saúde.
Iniciativas Contra a Discriminação na Saúde
Frente a episódios como o vivido pela jovem em questão, é crucial que haja iniciativas efetivas contra a discriminação nas unidades de saúde. Treinamentos sobre diversidade e sensibilização para a equipe de saúde devem ser implementados, além de políticas claras que punam práticas discriminatórias.
As instituições de saúde precisam promover uma cultura de respeito e inclusão, onde todos os pacientes se sintam seguros e acolhidos, independentemente de suas características físicas, origem étnica ou condição de saúde.
A Importância de Denunciar Abusos em Hospitais
Registrar formalmente esses episódios é essencial para que as vozes dos pacientes sejam ouvidas e para que ações preventivas sejam tomadas. Denunciar abusos assegura que a questão não passe despercebida e força instituições a examinarem e mudarem suas práticas.
Além do boletim de ocorrência, a jovem denunciou o caso também na Ouvidoria e no Coren, evidenciando a importância de múltiplas vias de denúncia para garantir que situações semelhantes não ocorram novamente.
O Papel da Ouvidoria e Conselhos de Classe
A Ouvidoria desempenha um papel vital na escuta das queixas e preocupações dos pacientes. É essencial que pacientes tenham acesso ao sistema de ouvidoria de forma clara e acessível, permitindo que eles possam compartilhar suas experiências e apelos por melhorias.
Os Conselhos de Classe, como o Coren, devem estar atentos a casos de abuso e falta de ética por parte dos profissionais de saúde. O acompanhamento de casos e a responsabilização das equipes são parte do dever desses conselhos.
Consequências Legais para os Agressões
As declarações feitas pela profissional de saúde podem ser classificadas como injúria, um delito previsto no Código Penal Brasileiro. Assim, o registro do BO pode levar a processos legais que exigem a responsabilização dos envolvidos. A justiça deve ser um instrumento de proteção para os pacientes, garantindo que eles não sofram represálias ou discriminações durante seu tratamento.
Comunicados da Prefeitura sobre o Caso
Após o caso ganhar notoriedade, a Prefeitura de Santos se manifestou em nota, informando que iria investigar a ocorrência junto à InSaúde. A administração municipal reafirmou seu compromisso com o atendimento humanizado e a não tolerância a qualquer forma de discriminação.
Esse tipo de posicionamento é vital para a construção de um ambiente mais seguro e saudável para todos os cidadãos, mostrando que o governo se preocupa com a dignidade dos pacientes e com a qualidade do serviço de saúde pública.
Reflexões Finais: O que Precisamos Aprender
O incidente na UPA da Zona Noroeste é um alerta sobre os desafios enfrentados nas unidades de saúde. É fundamental reconhecer e abordar as questões de racismo e gordofobia dentro desses ambientes, promovendo mudanças que garantam um tratamento respeitoso e humano a todos os pacientes.
À luz desse episódio, é crucial que tanto os profissionais da saúde quanto as organizações que os representam reflitam sobre suas práticas e busquem incessantemente a melhoria no atendimento, assegurando que discriminações não sejam toleradas em nenhuma circunstância.

